sábado, 11 de junho de 2011

DEPOIMENTO: Alessandra Pessoa

Alessandra Pessoa - RJ, 14 anos, presidente do Fã-Clube Indomavel Na Batera (@IndomavelNaB)

Eu sofri bullying ainda muito nova, eu tinha uns 5 ou 6 anos. As crianças na escola sempre que queriam me atingir, falavam de uma característica minha que sempre foi evidente, eu sempre fui gordinha, mais eu não me importava com isso. Então, eu fui crescendo e a fase do bullying passou, eu passei anos da minha vida, sem ter nenhum problema com o bullying. 

Há uns três anos atrás, eu mudei de escola e mais só esse ano alguns comentários maldosos surgiram, mas não por eu ser gordinha e sim pelo meu tom de pele e também por eu ser muito tímida, eu era rotulada como anti-social. 
Nunca me achei muito branca, mas também eu nunca gostei de ficar no sol, porque eu sempre fico vermelha. Os comentários maldosos surgiram e eu não me importei, mas além de ser agredida verbalmente eu comecei a ser agredida físicamente. Me empurravam, pisavam no meu pé... uma vez quase cai na escada da escola, sorte que a Gaby uma das poucos pessoas que eu falo na escola, me segurou. Sempre que me agrediam física falavam coisas do tipo "Ah, eu não te vi. Você fica tão quieta e também, sabe como é né, branca assim, você as vezes parece invisível". Quando comecei a ser agredida físicamente, eu fiquei com medo de ir pra escola, porque além de ser humilhada eu era agredida. Um dia, o professor saiu de sala e um menino colocou um funk pra tocar e eu pedi pra que ele diminuíssem o volume, do nada, outro menino começou a me xingar de coisas, que eu nunca tinha ouvido antes. Além de me xingar de tudo que eles já me xingavam, ele começou a falar do meu gosto músical (e não tem nada que me irrite mais), falando que ninguém tinha nada a ver se eu não gosto de funk, se eu preferia... Bom, ele falou coisas horriveis a respeito de nxzero e fresno (que são as bandas que eu mais gosto) que eu fico até envergonhada de contar... Eu pensei em fazer alguma coisa, só que eu precisava de alguém, pra poder confirmar o que estava falando, e como não falo com quase ninguém da escola... No dia seguinte, quando cheguei na escola, fui direto falar com a Gaby e perguntei  se ela podia confirmar quando eu falasse na escola que sofria bullying, e ela disse que sim, sem problemas. Nesse mesmo dia, quando eu fui entrar na sala, fecharam a porta praticamente na minha cara, sorte que eu dei um pulo para trás, se não, eu ia está com o rosto todo machucado, agora... Ai um menino gritou, no fundou da sala: "Para com isso, deixa a transparente entrar". Abriram a porta da sala, eu entrei, chamei a Gaby e fomos na direção da escola, fui falar com o diretor. Fiquei mais de meia hora na direção, chorando tanto, que eu mal conseguia falar, então, a Gaby que falou quase tudo, que faziam comigo, para o diretor.
O diretor pediu pra eu me acalmar e fomos na sala, onde estava a turma. Quando chegamos lá, eu entrei, sentei e o diretor começou a falar, sobre o bullying. Falou que racismo é crime, liberdade de expressão é muito diferente de xingar os outros. E que agora o bullying é crime e deve ser denunciado. Ele fez cada um que me agrediu pedir desculpas e prometerem não praticar o bullying, nem comigo, nem com ninguém.

Poucos pessoas sabem que sofri bullying em duas fases da minha vida,  e apesar de ainda ter receio de falar sobre o assunto, eu vi a capanha Família Nx Zero Contra o Bullying, e achei que deveria apoiar e contar minha história, afinal, o Nx zero foi muito responsável por eu ter tomado conragem pra me defender.
Linda a iniciativa dos fãs-clubes @ladynexas @conrasteam @welovenxzero (:

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